EXPERIENCIA .B
Monday, March 06, 2006
  EXORCISMO
ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade

"Sou um gato e estou trancado do lado de fora de uma janela, num oitavo andar. É demasiado alto para arriscar o salto, e portanto, mais não sobra que de andar de um lado para o outro no exíguo espaço do parapeito, conservando intacto o orgulho de felino, olhando em volta com indiferença e arqueando o dorso às vezes, como se houvesse um dono para me apanhar ao colo.

Retiremos o contexto e fique apenas o desespero, que para mim é isto: ser um gato trancado do lado de fora da janela. ficar deitado a apanhar sol, se ainda for de dia, e entristecer quando começa a anoitecer. não me sobram opiniões e o melhor é nem tentar arriscá-las, antes de que tudo mesmo tudo seja um motivo para desesperar mais. O melhor a fazer é escrever papéis para deitar fora; a escrita é um exorcismo, antes de tudo o mais. Tudo morre pela escrita. E depois do desespero, trancado ainda do lado de fora da janela, vejo junto às minhas patas os escombros dos sentidos mortos. Quem não sente, não vê; não ver é o mais refinado instinto de sobrevivência."

Vítor Rui
ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade
 
Sunday, March 05, 2006
  REGRESSO MAIS UM
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bem, voltemos a isto. com regularidade. gostaria de dizer que ter um blog me confere um estatuto muito bonito entre os meus pares, espraiando um dos instintos que toda a gente partilha: a necessidade de opinar. porém, salvo pelos óscares e pela falta de dinheiro que me tem afectado desde que o sócrates tomou o poder, não encontrei nada realmente estimulante no cardápio dos assuntos - não que os óscares o sejam, mas o sócrates sim. aliás: não o fosse, e não estaria na boca de tanta gente; e sempre que falta conversa, nada melhor que ir ao bolso do governo. o povão poderia dizer: "não consegues vencê-los, diz mal deles".
será que como eu toda a gente ouve dizer que isto só está bons para aqueles gatunos? e que o último a sair que feche a porta? eu sim. oiço dizer aqueles gajos são uns hipócritas, quem paga as crises são sempre os mesmos, e aqueles gajos querem-nos condenar a todos a viver debaixo da ponte. não deixa de ser verdade - e há tanta porcaria nos lá de cima. é pena no entanto que a verbosidade destes bardos de taberna não seja, enfim, do mais eloquente; nem tenha visibilidade no peso das opiniões. mas tem pelo menos os condão de afectar as classes média e média baixa (à alta ninguém tira o ferrarizito...), o que significa que agora já ninguém vai na cantiga sim, pois, é a economia. que é que nos resta? a contra informação; e o teleponto do nosso querido sócrates, que não ajuda os necessitados, mas que pelo menos começa todos os discursos dizendo: "muitos pretendem dizer que nós isto. não. nós isto não. o que nós bla bla bla...". não enche a barriga, mas. ah: e a caixa dos fósforos; não esquecer...


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Saturday, February 11, 2006
  O ABSURDO MAOMÉ
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Julgo que o post não pode ser mais evidente: quero aproveitar a manchete do Independente de ontem e juntar-me à mensagem

EU TAMBÉM SOU DINAMARQUÊS.

Começa a chatear-me a cobardia subliminar de alguns membros da nossa escol, desde Freitas do Amaral até ao senhor engenheiro Ângelo Correia. Não seria absurdo que eu caisse de paraquedas numa das principais avenidas de Teerão, com duas bailarinas de striptease? Então porque não aplicar esse mesmo senso de absurdo no ocidente, quando vários líderes muçulmanos nos pretendem impor as suas crenças ou obrigações de deferências?
Já faltava mais que vivêssemos com medo daquilo que dizemos ou criamos, com medo das susceptibilidades, com medo seja do que for, concernente à nossa liberdade; e não é exactamente a mesma coisa criar uma caricatura de Maomé, que gritar fogo num cinema, embora se tenha verificado, estupidamente, que ambas servcem para acender rastilhos...
Um pequeno à parte: alguém me consegue explicar porque é que umas ilustrações de Setembro só agora causam todo este celeuma? O que é que os extremistas árabes querem realmente; incendiar o ocidente? Andam eles à procuram de pretextos para nos pôr bombas em cada esquina? E indigna-me, muito mais do que o mau gosto das referidas caricaturas, que nenhum líder árabe moderado convoque manifestações contra a violência insana que se vive; fazem-no à boca pequena caso algum jornalista lhes pergunte o que pensam; mas todos se postaram nas primeiras filas para condenar as ilustrações.
Socialmente, a liberdade é um ideal humano muito difícil de atingir; e considerando-a como o objectivo mais elevado a que qualquer ser humano aspira, a liberdade absoluta, temos ainda muito caminho pela frente. Assim, do que não necessitamos é de mais regras, de mais mordaças, de mais tabus ou dogmas. Neste caso, julgo que basta um sucinto


NÃO; NEM PENSAR; VIVA A DINAMARCA!
 
Wednesday, February 01, 2006
  VAIDADE DOS PRAZERES, Eclesiastes




ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade

(já há algum tempo que tenho vontade de publicar um excerto deste texto - não me atrevo a publicá-lo na íntegra, é demasiado extenso -, e só agora, passados alguns dias sem vir a este espaço, me parece oportuno; vá lá saber-se porquê. este é um dos textos mais belos que conheço, que aliás inspirou muitos autores no campo das literaturas e não só. no que a mim se refere, fiquei tão entusiasmado quando o descobri, que acabei por transcrever um pequeno trecho numa das paredes do meu quarto com um marcador preto. a minha mãe pensou que me estava a tornar religioso e ficou contente; tentou inclusive arrastar-me consigo para a missa num domingo; depois acabou por verificar, não sem alguma tristeza, que era só mais uma das minhas reminiscências de psico adolescentino. e lá acabou por à missa sozinha.)

ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade

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CAPÍTULO 2 - VAIDADE DOS PRAZERES
Eu disse no meu coração:«Vamos! Tentemos a alegria, gozemos o prazer». Mas vi que também isto era vaidade. Do riso eu disse: «Loucura»! e da alegria: «Para que serves?».
Resolvi, dentro do meu coração, entregar a minha carne ao vinho, enquanto o meu espírito se aplicaria ainda à sabedoria, e procurar a loucura até experimentar que coisa seria mais agradável aos filhos dos homens, ou em que ocupação devem eles empregar-se neste mundo, durante os dias da sua vida.
Empreendi grandes trabalhos, construí para mim casas e plantei vinhas; fiz jardins e pomares, onde plantei toda a espécie de árvores frutíferas; construí depósitos de água para regar o bosque em que cresciam as árvores. Comprei escravos e escravas; outros nasceram-me em casa. Possuí muito gado, bois e ovelhas, mais do que todos os que me precederam em Jerusalém.
Amontoei prata e ouro, riquezas de reis e de províncias. Escolhi cantores e cantoras, e tudo o que faz as delícias dos filhos dos homens: numerosas mulheres. Fui melhor do que todos os que me precederam em Jerusalém, conservando, porém, a minha sabedoria.
Tudo o que os meus olhos desejavam, nada lhes recusei; não me privei de nenhuma alegria porque tinha alegria em todo o meu trabalho; esta foi a melhor parte do meu trabalho. Depois reflecti em todas as obras que as minhas mãos tinham feito e o trabalho que tive a fazê-las. E vi que tudo era vaidade e vento que passa e nada havia de proveitoso debaixo do sol.
Passei, então, à contemplação da sabedoria, da loucura e dos desvarios. Qual é o homem, que virá depois do rei, que há muito tempo foi designado?
E reconheci que a sabedoria leva vantagem sobre a loucura, como a luz leva vantagem sobre as trevas.

O SÁBIO E O LOUCO
Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o insensato anda nas trevas.
E reconheci também que um mesmo destino espera ambos. Disse para mim próprio: uma vez que a minha sorte será a mesma que a do insensato, para que serve então toda a minha sabedoria? Então adverti: também isto é vaidade. Porque a memória do sábio não é mais eterna que a do insensato, antes, passado algum tempo, tudo igualmente se esquece. Mas então? Tanto morre o sábio como o ignorante!
Por isso, detestei a vida, ao ver que é mau tudo o que existe debaixo do sol; tudo é vaidade e vento que passa.
E detestei todo o trabalho que tinha feito debaixo do sol, porque tudo hei-de deixar àquele que virá depois de mim.
E quem sabe se esse será sábio ou insensato? Contudo, é ele quem disporá de todo o fruto dos meus trabalhos, que debaixo do sol me custaram trabalho e sabedoria. Também isto é vaidade.
Desesperei no meu coração de todo o trabalho que suportei debaixo do sol. Porque um homem que trabalhou com sabedoria, ciência e bom êxito para deixar o fruto do seu labor a outro, que em nada colaborou, é uma vaidade e uma grande desgraça. Com efeito, que resta ao homem de todo o seu trabalho, de todas as suas azáfamas com que se afatigou debaixo do sol? Todos os seus dias são cheios de dores e todos os seus trabalhos cheios de tristezas; nem mesmo durante a noite o seu coração descansa. Também isto é ainda vaidade.

CONCLUSÃO
Não há nada melhor para o homem que comer, beber e gozar o bem-estar, fruto do seu trabalho. Mas notei que também isto vem da mão de Deus. Quem, com efeito, como e bebe senão graças a ele? Àquele que lhe é agradável, Deus dá sabedoria, ciência e alegria; mas ao pecador, dá o cuidado de recolher e acumular bens, para depois os deixar a quem Deus quiser. E também isto é vaidade e vento que passa.
[...]»

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Thursday, January 26, 2006
  PERGUNTA FUNDAMENTAL
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"Com que instrumentos, nesta democracia moderna, você tenciona cumprir os designios da sua alma?"

Saul Bellow, Ravelstein
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Wednesday, January 25, 2006
  ELOGIO A HOLLYWOOD
ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade



ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade



Somos demasiado severos com o cinema que nos chega de Hollywood; chamamos-lhe nomes feios, de brejeirice para cima, e no entanto deveríamos dedicar-lhe um mínimo de simpatia e olhá-lo com mais atenção. É que estes filmes, no fundo, mais não fazem do que invocar o que em nós existe de mais oníricos, e de uma índole equiparável às brincadeiras em que éramos piratas, subíamos às laranjeiras, assaltávamos o barco de carregamentos inglês, e no final ainda ficávamos com a namorada do comandante.

Falando em termos estritamente conceptuais: não é verdade que o rapaz sempre sonhou tornar-se heróis? E não é também verdade que a rapariga sempre sonhou com uma paixão das que derreteria o mais plúmbeo coraçãozinho? Falamos em termos conceptuais, é claro; mas será que alguma vez estes dois sonhos se perdem?

Sabemos que a infância nos acompanha vida fora; e embora o gosto pela bola se vá mesclando com o gosto pela boneca, num equilíbrio sem vectores, a infância em si não se perde. Prova disso serão as coisas mais simples de que somos capazes, como por exemplo a nossa intimidade: os ridículos do amor.

Agora transponhamos isto para um filme de Hollywood: em qualquer filme que se preze, encontramos os momentos do herói que se adentra na multidão, agradecida por ter sido salva dos terroristas, e a frondosa heroína a cair-lhe nos braços, no final de um olhar intenso; e em qualquer filme de Hollywood, ao mesmo tempo, estamos a encontrar traços da nossa psicologia mais inconfessável. Estes filmes não são outra coisa, senão uma invocação.


Não será o Drácula uma ilustração vitoriana de um secreto desejo masculino, o desejo de entrar num bar e de conquistar a miúda que está encostada ao balcão, e apenas olhando para ela?

Além do heroísmo, da paixão e da conquista, encontramos exploradas muitas outras nuances: a nossa gulosice (chocolates), o medo do inesperado e do desconhecido (suspense), o ódio pela vilania e pela injustiça, a amizade utópica e duradoura, a capacidade ou necessidade de nos fascinarmos, o lado feminino dos homens, a velocidade que a vida deveria ter (ou seja a bicicleta a descer por uma rampa, com o volante a trepidar), o lado masculino das mulheres, a necessidade de sermos embalados por uma história; etc. Tudo isto é extraído directamente da nossa infância, da mesma maneira que tudo isto, quando pagamos o bilhete e assistimos à película, nos volta a arrebatar: voltamos a ser a criança, só que de um modo mais eficiente, mais mastigado, e mais sofisticado que uma história da Sophia, dos irmãos Grimm, ou mesmo o Principezinho.


Num tempo em que somos tão adultos, qual é o problemas de sermos infantes durante hora e meia? O truque destes filmes é apenas isto: tililar o nervo certo, isolando-o do nosso molho de nervos, conseguindo assim a proeza de nos projectar para a personagem do grande ecrã. Haveria algum problema se nos projectássemos no Cavaleiro da Dinamarca da Sophia? Acho que não. Então porque é que apodamos de brejeiro a projectarmo-nos em Bruce Willies, no momento em que desce pela conduta de ar de um arranha-céus?


Bem vistas as coisas, poderíamos até arranjar um novo tipo de classificação para cinema: o filme hollywodeano passaria a classificar-se como infantil ou adolescente (dependendo da sofisticação dos sonhos ou desejos explorados), e o cinema independente passaria a classificar-se como cinema adulto. Admitiríamos assim que pagávamos bilhete para sonhar um bocadinho e não para nos entretermos simplesmente; e tal como o cinema infantil não substitui o cinema adulto (este cinema adulto), uma infância também não substitui a outra.

Para concluir: sabem porque é que gostei do filme Amelie, do Jounet? Nada mais simples: apenas porque me apaixonei pela personagem.

 
Monday, January 23, 2006
  REINALDO ARENAS E A LIBERDADE - revisto e aumentado

Lidos por um ocidental, os relatos de Reinaldo Arenas na sua autobiografia são inquietantes; funcionam como um exercício iconoclasta, desmistificando a imagem deificada que ainda muito se tem de Fidel Castro, fundamentada principalmente no facto de tanto chatear os americanos, e de lograr, contra tudo e todos, subsistir na cadeira do poder, mesmo apesar do embargo económico de que é alvo.

O embargo, verdade seja dita, já não é tão asfixiante como há umas décadas atrás; há inúmeros os hotéis portugueses, espanhóis e italianos que se instalaram em Varadero; porém, o poderia entender-se, ou corresponder, como alguma abertura do regime, é afinal um falhanço redondo. Os hotéis são para turistas, a medicina avançada é para turistas, e o povinho apenas se aplica a lei de nivelar por baixo − a acreditar em Reinaldo Arenas e em oposição à versão oficial.

Há bem pouco tempo, o nosso prémio Nobel, um comunista inveterado, voltou as costas a cuba, depois de lhe ter entregue o montante que lhe coubera em Estocolmo. Porquê? Foram condenados à morte cinco intelectuais, aparentemente por serem contra-revolucionários; mas tenho a impressão, mesmo assim, que a visão ocidental é indulgente para com estes comportamentos de Fidel Castro. Acho que nós não temos bem a noção...

A biografia de Arenas, “Antes que Anoiteça”, é crua; e ao longo do texto, tive a noção de que não conseguia realmente conceber as provações de todos aqueles que teimam pelo direito à individualidade, ao livre pensamento, à livre expressão, ou da livre assunção sexual. Aqui, caro Arenas, a gente queixa-se porque Cavaco ganhou as eleições (dizemos que vem aí o fascismo), ou então porque o Sócrates boicotou as declarações do Manuel Alegre (censura). Tu, porém, olhando para o regime político em que eu vivo, não conseguirás entender ao que nos estamos a referir quando dizemos revanchismo, fascismo, golpe de estado ou outras expressões quejandas. São apenas politiquices de gente crescida com falta de brinquedos.

Qual é a ideia que Fidel tenta impor aos cubanos? Como é que um país governado por um regime tão asfixiante, por um tirano opressor, se clama tão desassombradamente livre? Não é fácil de entender; trata-se de uma visão filosófica e teórica, mas deturpada e levada demasiado à letra.

Poderíamos enunciar a perseguição da liberdade da seguinte maneira:

1.o homem sozinho não consegue ser livre; o homem sozinho está condenado à sua solidão, à sua redoma, à sua incapacidade de comunicar; o homem sozinho é imperfeito;
2.a liberdade de um homem implica duas coisas: um conhecimento de si muito grande, e ao mesmo tempo a aceitação profunda desse conhecimento;
3.cumpridas estas duas condições, o homem transcende de si mesmo e encontra o próximo; consegue depurar as suas vias de comunicação, aperfeiçoá-las até à pureza, e só assim consegue entregar-se ao outro.
4.quando o homem se transcende, podem acontecer muitas coisas: segundos os católicos, pode encontrar-se com Deus (daí os católicos dizerem que o homem é livre se amar Deus), ou podem encontrar o outro (daí que uma das máximas do comunismo seja a união faz a força)
5.a força comunista é, aliás, o equivalente mortal à glória de Deus de um católico que se submete às praxes do catequismo; e tanto atingindo a força como atingindo a glória divina, o homem atingirá, teoricamente, um objectivo superior a si mesmo. Com o comunismo, o homem conseguirá chegar e unir-se ao seu semelhante, e dois são mais fortes do que um; já no catolicismo, o homem consegue amar Deus e assim é livre, libertando-se de si mesmo; mas tanto um como o outro são a aniquilação do indivíduo.

Os conceitos parecem ideais; e muito do que acima escrevi são em larga medida os meus próprios conceitos de liberdade, ou de libertação; só que o homem nasce antes de mais nada indivíduo, e portanto, ser-lhe-á sempre difícil transcender sem se aniquilar. Não sei responder se um indivíduo pode transcender - ser livre - sozinho, nem comparar as duas liberdades; tudo me diz que o ser humano é mais livre na solidão. A teoria, no entanto, diz uma coisa diferente...



De qualquer das formas, caberá ao homem e não a um regime decidir se persegue ou não esta liberdade. Por outro lado, como disse umas linhas atrás, ele nunca conseguirá ser tão livre na companhia de outra pessoa como quando está sozinho (excepto no amor). A solidão a muitos títulos é uma fuga. Não é fácil, com toda a dispersão e todas as variáveis da intimidade do homem, que ele se conheça e se aceite de uma forma tão perfeita.

Adão trincou a maçã do conhecimento e isso fez com que tivesse consciência de si mesmo, uma consciência que o deixou perplexo - porque a ignorância torna-nos livres -; e quanto mais Adão se descobria a si mesmo, mais se implantavam a dúvida e as incertezas. Em relação a si mesmo, em relação a deus e em relação a eva; e consequentemente, descobriu que tinha vergonha. Desde então, Adão pretende regressar a Deus e à sua liberdade; mas não funcionaram as diversas torres de babel, tentando unificar a linguagem que permitiria, lá está, que o homem chegasse ao seu seguinte; que transcendesse - a propósito disto, paul auster tem dois ou três capítulos deliciosos no livro Trilogia de Nova Iorque; e wittgenstein tinha toda a razão: é preciso ensinar a mosca a sair da redoma.

Como é que o comunismo de Fidel, e todos os outros comunismos, persegue esta libertação e resolve o paradoxo? Pois pela subjugação, fazendo um bypass, àquela treta do auto-conhecimento e da aceitação, indo directamente ao que interessa. O regime não providencia nem mecanismos nem o tempo para que o homem se conheça a si mesmo; o regime conhece o homem melhor do que ele mesmo e sabe de antemão aquilo que lhe convém: atingir a força e aniquilar a individualidade (se o fim da liberdade é a aniquilação, porque não saltar por cima do conhecimento e da aceitação para ganhar tempo?).

A liberdade em Cuba, em suma, é garatujada em cima do joelho. O regime impõe ao homem a sua cartilha (daí as escolas de reeducação revolucionária, uma das coisas mais violentas do regime), impõe-lhe que renuncie a tudo o que entenda contra-revolucionário (individualismo, comércio livre, etc.), e castiga com prisão e tortura os transviados (leia-se por exemplo homossexuais e escritores). E como torturas não é preciso pensar-se apenas nas máquinas medievais das prisões, há ainda coisas tão mesquinhamente violentas como vizinhos incorporados na polícia secreta para denunciar vizinhos; há tias a denunciar sobrinhos; há amigos a trair amigos. E tudo isto para obrigarem o cubano a ser libre; mas pode alguém obrigar-me a ser livre? É um contra-senso. E será que existe apenas uma única liberdade?

Os meus pais estiveram em cuba de férias, há dois anos atrás, creio, e aconteceram dois episódios curiosos. Num deles, a minha mãe torceu um pé e foi ao hospital do hotel; ela é daquelas pessoas que leva uma farmácia atrás. Acontece que quando o médico lhe viu uma bolsa cheia de carteirinhas de aspegic 1000mg, no meio de toda uma parafernália de outros anti-piréticos, anti-histamínicos, anti tudo e mais alguma coisa, ficou emocionado. Pediu-lhas com timidez, e explicou que uma carteira daquelas, uma singular carteirinha de aspegic 1000mg, dava para curar enxaquecas durante semanas (nós, na nossa "alarvidade" ocidental, tomamos uma carteira inteira se nos dói a cabeça; um cubano contenta-se com uns pozinhos). Noutro episódio, um dos amigos que viajou com eles percebeu que estava a ser seguido por um rapagão em tronco nu; imediatamente passaram-lhe um sem-fim de hipóteses pela cabeça: o rapaz queria assaltá-lo, queria "engatá-lo", queria sabe-se lá o quê. Sentou-se num banco, de onde conseguir avistar um polícia na marginal, e ao mesmo tempo pôs ao colo a máquina fotográfica. O rapaz, porém, mesmo apercebendo-se dos seus receios, sentou-se ao lado dele. Imaginam para quê? Para falar. Para poder falar sem ser controlado, para poder dizer o que lhe apetecesse da vida, do fidel, dos amigos, e de tudo o que lhe viesse à cabeça.

Voltando a Reinaldo Arenas, ele consegue ao fim de quase vinte anos de perseguição sair de Cuba, e foi-se degradado devido a SIDA, contaminado já na vivência ocidental. Acabou depois por suicidar-se num quarto de hotel quando as mãos já não conseguiam escavar a terra (suicidar-se fora aliás um acto sempre falhado em Cuba; tentou-o por diversas vezes enquanto perseguido, mas acontece que um escritor com obra publicada no estrangeiro ocidental não se pode suicidar: o ocidente culparia Fidel de uma morte tão hedionda e isso o regime não permite; prefere que o escritor se retrate publicamente, que renuncie a tudo quanto é, que se humilhe perante uma audiência de sabujos revolucionários, que denuncie todos aqueles com quem falou de literatura e todos aqueles que foram seus amantes homossexuais, e que garanta ter aderido à lindeza da revolução em curso, dispondo-se a escrever longas glorificações). Por diversas vezes no seu livro, Arenas clama que a morte é a derradeira liberdade. Deliciosa ironia te tropeçou o destino, caro Arenas: saiste para o estados unidos para morreres sidoso.


[reinaldo arenas, 1943-1990]

Nota ainda: em Cuba o povo passa fome e vendem-se laranjas no mercado negro a preços exorbitantes; ao mesmo tempo, Fidel organiza desfiles de carnaval que esgotam os cofres do estado, já de si muito depauperado. Com relação a isto, Arenas narra um episódio muito curioso que tem lugar já no exílio: durante um jantar, Arenas é confrontado por um comunista alemão que lhe diz mesmo assim preferir o regime de Fidel à democracia norte-americana. Ouvindo isto, Arenas levanta-se para ele, pega no prato de comida que tem na frente e arroja-o contra a parede; e diz-lhe: agora sim podes ser um castrista. A estes comunistas, Arenas chama de comunistas de luxo.

 
Saturday, January 21, 2006
  às tantas da matina depois de arrumar a cozinha e lavar os dentes
ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade
estou a olhar por última vez para o blog antes de me deitar; são seis e vinte da noite e só agora me apetece o sono; e reparei na coluna da direita onde vou acumulando links sem grande organização. penso: é tal e qual os livros nas minhas estantes; uma dia destes arrumam-se por apelido.
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  a despedida
ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade


[foto de GIOVANI PAIM, Masturbação fotográrica]

ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade


"é não
masturbanão com a mão e os meus olhos
masturbapão a cidade as ruas

olho para o chão e dispo-me dos cheiros
da estação dos dois filigranas no areal que pisámos
quando íamos de sim ao assim
ruminando a espera

mas hoje ponho-me apenas a masturbar os discos que ouvimos
a masturbar o pão
e o coração ainda atento ainda à espera
ponho-me a masturbar o tempo e a casa
o quarto demasiado aquecido
e o gesto que ainda sabe tocar mas já não serve para nada

ponho-me a masturbar
o acordar a meio da manhã e dizer amo-te

com as duas mãos masturbamor
a regalia os cafés
os analistas dos jornais agora amarelados
gastar tudo deitar tudo fora
esta vida já não te pertence
que queres que faça ainda - que ta vá emprestando?

sempre que te ejaculo no sifão a memória cai
retiro a mão das tuas entranhas e deixo de querer puxar
encolho-me noutro universo digo deus às vezes
leio livros escrevo coisas no caderno
vejo televisão levanto-me da cama e saio à rua
e noto que ficar triste traz a beleza do mundo frágil
até que um dia deixas de doer-me a despedida"
 
Friday, January 20, 2006
  A PASSAGEM DO TEMPO
ARTE artista IMAGINA a imagem NOS CINEMAS o cinema O AUTOR o realizador O GUIONISTA o sonoplasta E O ESPECTADOR a espectadora NA SALA na saída É HOMEM é entrada E É MULHER e é meloso FOGOSO e incêndios É ESTÉTICA uma imagem UM PINTOR uma exposição que se vê de costas voltadas UM QUADRO uma electricidade UMA RELIGIÃO um pequeno NATAL um presidente da república PASSIONAL e uma MASSA atenta e uma MASSA desatenta E UMA MINORIA são diversas minorias ETNIAS de pretos e de BRANCOS e de verdes PAÍSES bandeiras HINOS e sentidos militares ARMADOS COM ARMAS pistolas CANHÕES metralhadoras TANQUES mulheres nuas no capacete POR DENTRO assalto (por dentro) MÃO ARMA E DENTE ou dentes OU DENTES e escrita E ESCRITOR e cuida dos teus dentes como se fossem a tua arma CONFLITO KAFKA um livro de escrita GESTO CRIATIVO ESPALMADO um livro COMPLETO e um livreiro do outro lado NA LIVRARIA na papelaria CANETAS NAS PRATELEIRAS DA PAPELARIA vício-vicio UMA PARTICULARIDADE INÓCUA e a actualidade é uma MERDA uma dispersão UM DESPERDÍCIO é lixo NA BOCA INTERNA DO CANTONEIRO na berma da estrada e da auto-estrada NO TRÁFEGO INTERNACIONAL e aeroporto E OTA e aeroportuário E OTÁRIO e mário PESCADOR NACIONAL uma coisinha bonita VERDURAS FRESCAS com árvores de ambos os lados da estrada NUM BRASIL REGIONAL (com z às vezes) UMA AMAZÓNIA INTEIRA florestal DENSA pesada UMA BÁSCULA basculante QUE BASCULA NA PEDREIRA com mármore por cima COM BETÃO POR CIMA com aço por E CIMENTO na betoneira máquina de lavar roupa dura DO PEDREIRO com mulheres nuas na boca HOMEM de mulheres mini FAMÍLIA NOS PÉS e ciência astrologia (BOA COMO QUALQUER OUTRA) diz-se na televisão E SERÁ VERDADE (se dizem na televisão) OLÁ olá portugal E SIC'ÀS DUAS POR (QUÊ) comenta o comentador A POLITIZAÇÃO É a globalização é DISTÂNCIA um distanciamento UMA VISÃO diário de PÚBLICO vasco não sei o quê MERDA vasco não sei o quê DIVÓRCIO um DIVÓRCIO dois UM E OUTRO é dois UMA CONJUNÇÃO uma conjugação DE MULHER com pénis COM HOMEM com pénis COM UMA MULHER snap snap PORNO o amor é PORNOGRÁFICO no quarto E TAMBÉM É carinhoso (COM CERTEZA COM CERTEZA) desculpe lá mas VEJA O FILME FAMILIAR as fotografias A MÁQUINA FOTOGRÁFICA ALI o olho atento O OLHO OPORTUNO o olho milimétrico E OS MILÍMETROS pequenos OS SEGUNDOS a fracção O DEDO MINDINHO DE TEMPO ALI mas pois claro HOJE sim E HOJE não AMANHÃ amanhã NUM TEMPO FUTURO não NÃO não SEJA RUÃO em ruanda NUM HOTEL com filhos de puta em volta do hotel ruanda A MATAR uma festa DE PUTAS E O VINHO verde E CEGUEIRA NOS COMENSAIS À VOLTA DO MORTO e mais que isto o MATADOR ALMODOVAR no alentejo NA PAISAGEM MORTA à volta AMARELA e à volta COMIGO comigo E CONTIGO e depois é preciso falar É O NOSSO DEVER apesar muito apesar DA ENXAQUECA e depois farmácia DO FARMACÊUTICO com preservativo gratuíto BONITO e preservativo caro FEIO preservatilvico É UM NEGÓCIO SABE um negócio enfim UM CHINÊS DA CHINA só que como os outros EM LISTA DE ESPERA imagino biliões de pessoas em lista de espera SHAKESPEARE A SER ou então a não ser OU SER MAS À ESPERA como todos os outros SHAKESPEARE A LER NO JORNAL AS ACTUALIDADES - a publicidade, esta publicidade

[a persistência da memória - salvador dali]



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Enquanto passeava pelo jardim, reconheci à distância um homem que estava sentado num banco à sombra; não me recordei de como se chamava, e ainda agora não recordo, mas foi em tempos zelador de uma agremiação que eu em miúdo frequentei muito com o meu avô, e onde passava tardes inteiras a brincar com outros miúdos da minha idade.

Lembro-me dele como um homem rezingão nessa altura, e severo, mesmo até quando sorria. E não disfarçava o facto de não gostar de crianças; por isso andava sempre atrás de nós, vociferando para que não fizéssemos barulho e não corrêssemos pelos corredores, tudo numa constância inquebrantável e por entre ameaças de chamar os nossos pais ou mesmo a polícia. E nós incomodávamos toda a gente, é óbvio que sim, quando nos escondíamos debaixo das mesas no meio da gritaria. Mas acabámos por ter certo medo deste homem.

Porém, quando hoje me cruzei com ele, não me reconheceu, embora tenha gritado comigo milhentas vezes. Olhou para mim com um olhar vazio, talvez curioso pela minha aparência algo excêntrica, suponho, mas nem sequer me acenou com a cabeça - voltou a depor o olhar no chão, eu também passei e deixei de olhar-me com ele.

Estava realmente velho, o homem; estava gasto. No princípio, pensei que ainda fosse possível reviver aquele temor respeitoso que dantes sentia por ele; mas eu hoje já não me ponho debaixo das mesas nem incomodo tanto as pessoas, e apenas senti uma vergonhosa lástima por ele, juntamente com alguma inquietação. A sua velhice era frouxa e sobrava muito pouco da severidade firme de outros dias; estava tal e qual os outros velhos que passam os dias num banco qualquer da cidade; alguns ainda jogam às cartas; outros têm amigos, mas muitos foram ficando para trás e apenas esperam ir também.

Pensei: é apenas isto a passagem do tempo; pouco a pouco ficarmos mais parados, cada vez mais indiferentes a quem passa, até nos tornarmos uma memória dentro de um saco de carne gasta. Eu já não incomodo tanto as pessoas; dantes incomodava. É um facto.

 
  FRASE ROUBADA E ADAPTADA LIVREMENTE AO ESCRITOR REINALDO ARENAS EXILADO CUBANO E SUICIDADO QUANDO AS MÃOS DEIXARAM DE FUNCINAR
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"Eu vivo como num desterro. Exilado, vivo como se me estivessem a perdoar a vida, sempre prestes a ser rejeitado. Eu não tenho um país; tenho um contrapaís."

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o meu esconso variável é este. vivo dentro de contornos de adolescência e sou uma experiência às escondidas. sou um raciocínio. sou um assassinato de carácter.

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